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Gestante segurando uma maçã na cozinha, com a barriga em evidência

“Quanto a mais eu preciso comer agora?” costuma ser uma das primeiras perguntas depois do exame positivo. A resposta gira em torno de 200 a 300 calorias por dia acima do que você já comia antes de engravidar, e esse acréscimo entra de verdade a partir do segundo trimestre.

Resumo

  • O acréscimo calórico da gestação fica entre 200 e 300 calorias por dia, o equivalente a um lanche pequeno.
  • No primeiro trimestre a necessidade de energia é praticamente a mesma de antes da gestação.
  • A faixa de proteína citada na literatura gira em torno de 60 a 70 gramas por dia.
  • Ácido fólico (400 mcg) e ferro (27 mg) são os nutrientes com o maior salto de necessidade.

O tamanho real desse acréscimo

Trezentas calorias cabem num copo de leite com uma fatia de pão e um ovo. Ou numa fruta com um punhado de castanhas. Perto do peso simbólico da frase “agora você come por dois”, parece pouco, e é o que a fisiologia da gestação pede.

O crescimento do bebê depende de aporte constante de nutriente ao longo dos meses. Aumentar muito o volume de comida de uma vez tende a virar ganho de peso materno acima do previsto, enquanto o resto do processo segue no mesmo ritmo.

Cada trimestre pede uma coisa diferente

No primeiro trimestre a necessidade de energia fica praticamente igual à de antes da gestação. O embrião ainda é pequeno e o gasto extra é mínimo. O que costuma pesar nessa fase é náusea, aversão a cheiro e comida que antes descia numa boa e de repente não desce mais.

A partir de mais ou menos a décima semana o crescimento do tecido materno e fetal acelera, e segue acelerando até perto da trigésima. É nessa janela que o acréscimo calórico faz diferença.

Uma revisão sistemática publicada em 2024 reuniu estudos de 1980 a 2023 e mediu o que as gestantes de fato comem ao longo dos trimestres. A média ficou em 1.958 kcal por dia no primeiro trimestre, 1.979 no segundo e 2.116 no terceiro (Ahmed e colaboradores, 2024). A curva sobe conforme a gestação avança, como esperado.

O achado que costuma surpreender

Nessa mesma revisão, a média geral de ingestão ficou em 2.036 kcal por dia. A faixa considerada adequada para a gestação gira em torno de 2.200 a 2.500 kcal. Ou seja, na média dos estudos analisados, a ingestão ficou abaixo do recomendado.

Por que isso acontece? Náusea no primeiro trimestre, azia e sensação de estômago cheio no terceiro, receio de ganhar peso demais e orientação genérica para “maneirar na comida”. Cada um desses fatores empurra a ingestão para baixo, e juntos eles explicam boa parte do resultado.

Proteína costuma estar coberta

A faixa de proteína citada nessa revisão fica entre 60 e 70 gramas por dia para gestantes. A média efetivamente consumida nos estudos foi de 78 gramas. Quem já come proteína nas refeições principais normalmente atinge esse valor sem grande esforço. Para conferir a sua faixa, dá para usar a calculadora de proteína diária.

Os micronutrientes são o ponto sensível

O ácido fólico é o caso mais claro. A referência é de 400 mcg por dia, e o detalhe importante está no tempo: ele atua no fechamento do tubo neural, que acontece nas primeiras semanas, muitas vezes antes da mulher saber que engravidou. Por isso a recomendação começa ainda na fase pré-concepcional, quando existe planejamento.

O ferro sobe para 27 mg por dia, quase o dobro da necessidade fora da gestação. O volume de sangue da mãe aumenta bastante ao longo dos meses, e o ferro sustenta o transporte de oxigênio até a placenta. Cálcio e ômega-3 também ganham destaque nesse período, o cálcio principalmente no terceiro trimestre, quando o esqueleto do bebê mineraliza com mais intensidade (Jouanne e Voisin-Chiret, 2021).

Como isso vira rotina de verdade

Na prática, o que costuma funcionar é distribuir a comida em refeições menores e mais frequentes, principalmente nas fases de náusea e de azia, porque volume grande de uma vez é justamente o que o estômago comprimido rejeita. Ancorar proteína e uma fonte de ferro nas refeições principais resolve boa parte da conta sem precisar contar caloria o dia inteiro.

A suplementação de ácido fólico e ferro entra sempre junto da conduta do obstetra, com base nos exames. O acompanhamento nutricional trabalha do lado disso, ajustando a comida ao quadro de cada gestação, do mesmo jeito que acontece em outras condições clínicas como a SOP.

Visão do Pet

Duas situações se repetem bastante no consultório. A primeira é a mulher que aumenta muito a quantidade de comida logo no primeiro trimestre, quando o corpo ainda nem pediu esse acréscimo. A segunda é o oposto, a gestante que reduz demais no terceiro trimestre por causa da azia e do estômago comprimido, justamente na fase em que a necessidade está no pico.

Nos dois casos o ajuste é mais de distribuição do que de quantidade total. Fracionar melhor ao longo do dia costuma resolver o que parecia um problema de apetite. E vale reforçar: o alvo da gestação é ganho de peso adequado e acompanhado, com nutriente suficiente para os dois, sempre dentro do que o pré-natal define.

Perguntas frequentes

Quanto a mais uma gestante precisa comer por dia?

Em torno de 200 a 300 calorias por dia acima do consumo de antes da gestação, o equivalente a um lanche pequeno. A faixa total costuma ficar entre 2.200 e 2.500 kcal por dia, variando conforme peso, altura e nível de atividade.

Preciso comer mais desde o primeiro trimestre?

No primeiro trimestre a necessidade de energia é praticamente a mesma de antes da gestação. O aumento passa a fazer diferença a partir do segundo trimestre, quando o crescimento do tecido materno e fetal acelera.

Quanta proteína uma gestante precisa por dia?

A literatura cita uma faixa em torno de 60 a 70 gramas por dia. Quem já inclui proteína nas refeições principais normalmente alcança esse valor, já que a média medida em estudos com gestantes ficou em 78 gramas por dia.

Quais nutrientes exigem mais atenção na gestação?

Ácido fólico (400 mcg por dia, com início ideal ainda antes da concepção) e ferro (27 mg por dia, quase o dobro da necessidade habitual). Cálcio e ômega-3 também ganham importância, o cálcio especialmente no terceiro trimestre.

Posso fazer dieta para emagrecer durante a gestação?

O trabalho nutricional da gestação é de ganho de peso adequado e acompanhado, com aporte suficiente de nutriente para a mãe e para o bebê. Restrição calórica para perda de peso fica fora desse período, e a condução é sempre alinhada ao pré-natal.

Leia também: dieta para SOP e calculadora de TMB e gasto calórico.

Esse tipo de ajuste é exatamente o que entra no acompanhamento de nutrição clínica, junto da conduta do seu médico.

Se você está grávida e quer organizar a alimentação com acompanhamento de verdade, ajustando as refeições conforme o trimestre e os seus exames, dá para conversar comigo pelo WhatsApp. Atendo presencial na Barra da Tijuca e online.

Referências

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