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Jogador de futebol se hidratando durante treino em campo

Um jogador de futebol passa boa parte do jogo em ritmo baixo e explode em picos curtos: uma arrancada, um salto, uma virada de jogo. São entre 150 e 250 ações intensas numa partida, e é esse padrão intermitente que decide o que precisa entrar no prato, e quando.

Resumo

  • No dia anterior ao jogo, a base é carboidrato: 6g a 8g por quilo de peso.
  • De 3 a 4 horas antes da partida, uma refeição com 1g a 3g de carboidrato por quilo.
  • Durante o jogo, 30g a 60g de carboidrato por hora, começando logo nos primeiros minutos.
  • Depois do apito, 1g a 1,5g por quilo por hora nas primeiras 4 horas, porque o glicogênio some rápido e demora até 48 horas para se recompor.

Futebol pede comida na medida certa

O combustível principal do futebol é o glicogênio, o carboidrato guardado no músculo. Ele alimenta as arrancadas, os sprints e a explosão do salto de cabeça. Quando esse estoque cai, o corpo passa a depender mais de gordura, que é mais lenta, e a fadiga do fim de jogo aparece justamente aí (Bangsbo, Mohr e Krustrup, 2006).

Por isso o segundo tempo costuma ser mais lento que o primeiro, mesmo em atleta bem preparado fisicamente. O tanque de glicogênio está esvaziando.

Dieta para jogador de futebol no dia a dia

A base da semana é carboidrato suficiente para repor o que o treino gasta. Uma revisão sistemática recente reuniu 61 estudos sobre o tema e chegou numa recomendação prática: 6g a 8g de carboidrato por quilo de peso no dia anterior ao jogo (Pueyo e colaboradores, 2024). Para um jogador de 75kg, isso fica entre 450g e 600g de carboidrato no dia, espalhado nas refeições.

Proteína entra em todas as refeições do dia, do café da manhã ao jantar. E o volume de treino da semana decide o resto: quem tem dois treinos por dia ou joga a cada três dias precisa de mais carboidrato do que quem treina uma vez ao dia.

O que comer antes do jogo de futebol

A mesma revisão recomenda 1g a 3g de carboidrato por quilo numa refeição de 3 a 4 horas antes da partida. Para 75kg, algo entre 75g e 225g de carboidrato, o que dá um prato de massa ou arroz com uma proteína magra e pouca gordura.

Quanto mais perto do apito, menor e mais simples a comida. Uma hora antes já não cabe prato cheio, cabe uma banana, um pão simples ou um isotônico. Gordura e fibra em excesso ficam de fora dessa janela, porque atrasam a digestão e pesam justo na hora de correr.

Durante a partida

A faixa recomendada durante o jogo é de 30g a 60g de carboidrato por hora, e o ponto que a maioria erra é começar tarde demais: o ideal é repor logo nos primeiros 20 minutos, antes que o cansaço apareça (Pueyo e colaboradores, 2024). Isotônico no intervalo e na beira do campo, quando o jogo permite, cobre boa parte dessa conta.

A glicose cai nos primeiros 15 minutos do segundo tempo, mesmo com boa reposição. É esperado, e a queda em si não costuma derrubar o desempenho, desde que a estratégia de carboidrato tenha sido seguida antes.

Depois do apito, a recuperação começa

O glicogênio despenca ao fim da partida e continua baixo por até 48 horas. Isso pesa muito em quem joga duas vezes na semana. A recomendação é 1g a 1,5g de carboidrato por quilo por hora nas primeiras 4 horas depois do jogo, começando já nos primeiros 20 minutos (Pueyo e colaboradores, 2024).

Proteína entra junto nessa refeição, para sustentar a recuperação muscular. Quem tem outro jogo em 2 ou 3 dias não pode tratar essa janela como opcional: é ela que decide se o atleta chega inteiro na próxima partida.

Base, amador e profissional: muda a estratégia

Categoria de base cresce e treina pesado ao mesmo tempo, então comer pouco nessa fase atrapalha o desenvolvimento e o rendimento juntos. Quem joga amador em cima da rotina de trabalho precisa de um plano que caiba no dia real, sem depender de suplemento caro. E o profissional lida com calendário apertado, viagem e jogo no meio de semana, o que muda a lógica da recuperação entre partidas.

O consenso de nutrição em futebol de elite da UEFA trata justamente dessas diferenças, da nutrição do dia de jogo até o jogador jovem em desenvolvimento (Collins e colaboradores, 2021). Se você quer ver como isso se traduz em plano prático para o seu nível, tem mais detalhe na página de nutricionista para futebol.

Visão do Pet

Trabalhei como nutricionista no Flamengo, e o que mais vejo é jogador tratando a alimentação do dia de jogo como detalhe, quando ela é tão parte do jogo quanto o aquecimento. O time que chega bem alimentado no segundo tempo corre mais rápido no fim de jogo porque ainda tem glicogênio no músculo.

Isso vale igual para quem joga profissional e para quem joga o fim de semana com os amigos, só muda a escala.

Perguntas frequentes

Quanto de carboidrato comer antes do jogo?

De 1g a 3g por quilo de peso, numa refeição de 3 a 4 horas antes da partida. Mais perto do horário do jogo, a porção diminui e a digestão precisa ser rápida.

Preciso comer durante o jogo?

Faz diferença, sim. A recomendação é 30g a 60g de carboidrato por hora, começando cedo, logo nos primeiros 20 minutos, antes que a fadiga apareça.

O que comer depois do jogo?

Carboidrato e proteína logo nos primeiros 20 minutos, na faixa de 1g a 1,5g de carboidrato por quilo por hora nas 4 horas seguintes. O glicogênio leva até 48 horas para se recompor, e isso pesa em quem joga várias vezes por semana.

Existe diferença entre jogador amador e profissional?

A base é a mesma, mas a estratégia muda. O profissional lida com calendário de jogos e viagem, o amador precisa de um plano que caiba na rotina de trabalho, e a base ainda está em fase de crescimento, o que pede atenção redobrada às calorias totais.

Leia também: como montar a dieta para treino e a calculadora de TMB e gasto calórico, útil para calcular quanto você gasta num dia de jogo. Se quiser o panorama, veja o que é nutrição esportiva, e o mesmo raciocínio de combustível vale pra quem encara distância em o que comer antes de correr.

Ganho de força e composição corporal fazem parte disso, o mesmo trabalho que faço no acompanhamento para hipertrofia.

Se você joga futebol e quer uma estratégia alimentar montada para o seu treino e o seu calendário, dá pra conversar comigo pelo WhatsApp. Fui nutricionista do Flamengo e atendo presencial na Barra da Tijuca e online.

Referências

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