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Pés de uma pessoa sobre uma balança inteligente vista de cima

Você pisou numa balança de bioimpedância, apareceu um número de gordura visceral tipo 7, 9 ou 12, e ficou a dúvida se aquilo é bom ou ruim. Essa é uma das buscas mais comuns sobre o assunto, e a resposta tem duas partes: existe uma faixa de referência, e existe um problema com esse número que quase ninguém conta.

Resumo

  • A escala de 1 a 59 das balanças costuma tratar de 1 a 12 como faixa saudável e 13 ou mais como excesso.
  • Essa escala é um índice do fabricante do aparelho, com critério próprio.
  • Comparada com ressonância magnética, a bioimpedância superestimou a gordura visceral, principalmente em homens.
  • A relação entre cintura e altura se saiu melhor que cintura sozinha e melhor que IMC pra identificar risco cardiometabólico.
  • Regra prática: manter a cintura abaixo da metade da sua altura.

O que significa o número de gordura visceral da balança

As balanças e aparelhos de bioimpedância domésticos entregam a gordura visceral como um índice numa escala que costuma ir de 1 a 59. Na orientação dos próprios fabricantes, valores de 1 a 12 ficam na faixa considerada saudável e valores de 13 para cima indicam excesso. Vale saber de onde vem esse número: ele é uma estimativa calculada pelo aparelho a partir da resistência que uma corrente elétrica de baixa intensidade encontra ao atravessar o corpo, combinada com peso, altura, idade e sexo. A escala e os pontos de corte são definidos por cada fabricante, com critério próprio, e por isso o mesmo corpo pode receber números diferentes em aparelhos de marcas diferentes. Sou o Peterson Mendes, nutricionista esportivo na Barra da Tijuca, e uso esse índice como acompanhamento de tendência, com cautela sobre o valor absoluto.

Por que esse número engana

Um estudo acompanhou 19 adultos com obesidade por 12 meses de intervenção para perda de peso e comparou a bioimpedância com dois métodos de referência: densitometria e ressonância magnética. Para gordura corporal total, a bioimpedância foi muito bem, com correlações de 0,91 a 0,99 comparada à densitometria. Para gordura visceral, o resultado foi outro: comparada com a ressonância, a bioimpedância superestimou a gordura visceral, especialmente nos homens, e os autores concluem que o método é limitado na capacidade de medir gordura visceral (Pietiläinen e colaboradores, 2013).

Repare no detalhe importante: a mesma balança que acerta bem a gordura total erra na parte visceral. Isso acontece porque a corrente não enxerga profundidade, ela atravessa o corpo e o aparelho estima o resto por equação. Então aquele 9 que apareceu no visor é uma estimativa em cima de uma estimativa.

A medida que funciona melhor, e você faz em casa

Uma meta-análise reuniu estudos com mais de 300 mil adultos de várias etnias e comparou três formas de rastrear risco cardiometabólico: IMC, circunferência da cintura e a relação entre cintura e altura. A relação cintura e altura se mostrou superior às outras duas para detectar diabetes, hipertensão e doença cardiovascular, em homens e mulheres, e os autores recomendam que ela seja adotada como ferramenta de rastreio (Ashwell, Gunn e Gibson, 2012).

A conta é simples: divida a sua cintura pela sua altura, nas mesmas unidades. O valor de referência mais usado é 0,5, ou seja, a cintura fica abaixo da metade da altura.

  • 1,60m de altura: cintura abaixo de 80cm
  • 1,70m de altura: cintura abaixo de 85cm
  • 1,80m de altura: cintura abaixo de 90cm
  • 1,90m de altura: cintura abaixo de 95cm

Meça com fita métrica na altura do umbigo, em pé, no fim de uma expiração normal, sem prender a barriga. Expliquei o resto do contexto no guia sobre gordura visceral, e dá pra estimar seu percentual de gordura com a mesma fita na calculadora de percentual de gordura.

Como a ciência mede de verdade

Nos estudos, gordura visceral é medida em área, em centímetros quadrados, por tomografia ou ressonância num corte do abdome. Um estudo de coorte com 689 idosos coreanos buscou os pontos de corte que melhor identificavam pessoas com pelo menos dois fatores de risco metabólico, e chegou a cerca de 92,6 cm² de área de gordura visceral para homens e 88,9 cm² para mulheres. O achado mais útil desse trabalho para o dia a dia foi outro: a circunferência da cintura teve poder comparável ao da área de gordura visceral medida por tomografia para identificar quem estava em risco (Seo e colaboradores, 2009).

Ou seja, o exame caro e a fita métrica chegaram perto na hora de responder a pergunta que interessa. Isso reforça a fita como ferramenta de acompanhamento.

O que fazer se o seu número estiver alto

O plano é o mesmo que reduz gordura visceral de forma geral, com três frentes que se somam:

  1. Confirme com a fita. Meça cintura e divida pela altura. Se ficar acima de 0,5, o alerta se sustenta independente do que a balança disse.
  2. Some aeróbico à semana. Cerca de 150 minutos de caminhada rápida, corrida leve ou bicicleta.
  3. Ajuste comida e álcool. Déficit calórico sustentável, proteína suficiente para preservar músculo, e álcool reduzido, que é o que mais costuma passar despercebido.

Depois disso, reavalie a cada 4 semanas pela cintura. O detalhe que faz muita gente desistir cedo é que a gordura visceral pode cair antes do peso mudar na balança, e eu detalhei essa parte no guia principal.

Visão do Pet

Vejo muita gente refém do número da balança de bioimpedância, medindo toda semana e sofrendo com variação de uma unidade. Esse aparelho é sensível a hidratação, horário e até se a pessoa treinou antes, então oscilação pequena diz pouco. Uso o índice como tendência ao longo de meses, com a fita métrica como medida de confirmação. E tem uma coisa interessante: quando a pessoa passa a olhar a cintura em vez do visor da balança, o acompanhamento fica mais estável e ela desiste menos.

Peterson Mendes, nutricionista esportivo (CRN 15101107), Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.

Perguntas frequentes

Qual o nível de gordura visceral ideal?

Na escala de 1 a 59 usada pelas balanças de bioimpedância, os fabricantes costumam considerar de 1 a 12 como faixa saudável e 13 ou mais como excesso. Como esse índice é proprietário e estima a gordura visceral de forma limitada, vale confirmar com a relação entre cintura e altura, mantendo a cintura abaixo da metade da altura.

Gordura visceral 7 é ruim?

Sete fica dentro da faixa que os fabricantes tratam como saudável, que vai de 1 a 12. Ainda assim, o valor absoluto tem margem de erro grande, então o acompanhamento mais confiável é a tendência ao longo dos meses somada à medida da cintura.

A balança de bioimpedância mede gordura visceral corretamente?

Ela dá uma estimativa com limitações. Num estudo que comparou bioimpedância com ressonância magnética, o aparelho superestimou a gordura visceral, principalmente em homens, e os autores concluíram que o método é limitado para essa medida específica, apesar de funcionar bem para gordura corporal total.

Qual a melhor medida caseira para avaliar gordura visceral?

A relação entre cintura e altura. Uma meta-análise com mais de 300 mil adultos mostrou que ela supera a circunferência da cintura sozinha e o IMC para identificar risco cardiometabólico. A referência prática é manter a cintura abaixo de metade da altura.

De quanto em quanto tempo devo medir?

A cada 4 semanas é suficiente. Medidas diárias captam mais oscilação de hidratação e de intestino do que mudança real de gordura.

Se o seu número veio alto e você quer um plano para baixar isso com acompanhamento, dá pra conversar comigo pelo WhatsApp. Atendo presencial na Barra da Tijuca e online.

Referências

Foto de capa: Pavel Danilyuk no Pexels.

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